• A HOUSE IN LUANDA: PATIO AND PAVILION
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A HOUSE IN LUANDA: PATIO AND PAVILION

O projecto pretende dar resposta as premissas do lugar de forma a ser exequível. Simplicidade de construção, baixo custo e sustentabilidade, dando resposta a um problema social da cidade de Luanda, que é a migração da população para a periferia desta cidade, que não tem condições para acolher todos estes novos habitantes que vêm aliciados por uma oferta de trabalho precária.

A palavra musseque tem origem no kimbundo (mu seke) e significa areia vermelha, a cor do solo deste território. A um dado momento, musseque, passa a designar os grupos de palhotas que se acumulam na periferia da cidade, que mais tarde passam a ser construídas em blocos de cimento e chapas de zinco. Totalmente desordenadas, estas zonas adquirem uma ‘riqueza cultural’ ao nível da proximidade dos habitantes e mesmo de alguma da construção que nascendo do total desconhecimento construtivo e falta de meios, se torna inventiva e sem preconceitos. Da necessidade nasce a construção, que na periferia, assim como nos novos centros urbanos, nunca pára.

Desta leitura, nasce um projecto que reinterpreta a desorganização da construção, estabelecendo dentro dos limites de um lote, um pequeno aglomerado de edifícios num critério de dispersão, cada um com um uso distinto, de forma a que assim a sua execução seja o mais simples possível ao terem dimensões reduzidas. Cada um destes compartimentos existe isolado, com uma estrutura simples de quatro pilares, podendo assim ser feita a construção de forma faseada e posteriormente serem adicionados mais compartimentos. As circulações são feitas pelo exterior, de forma a reduzir área de construção, custos associados e a criar uma maior circulação de ar por estes estreitos corredores exteriores, que, pelas suas dimensões proporcionam a criação de espaços sombreados contribuindo para a refrigeração natural do meio. O resultado destes cheios construídos, para além dos corredores, são também alguns vazios de maior dimensão, que permitem zonas de estadia no exterior, como se de pequenas praças se tratassem, onde os moradores deste pequeno bairro poderiam permanecer, e contemplar a desejada vista de céu. O crescimento da habitação pode acontecer em simultâneo com o crescimento da família. Cresce a casa, cresce a cidade.

A construção inicia-se no alçado da rua, onde adquire uma maior dimensão, pelo uso a que se destina, funcionando como uma raiz para esta habitação que depois se vai desenvolvendo ao longo do lote. Encontra-se aqui a zona social, constituída pela sala de estar, sala de refeições e uma zona de preparação de alimentos, e ainda uma pequena zona de arrumos. Um segundo elemento construído, e o que se encontra mais próximo, aloja a instalação sanitária. Desenvolvem-se depois quatro construções destinadas aos quartos, assim como era premissa, um para os pais, outro para os avós e mais dois para os filhos, podendo acolher de três a cinco filhos. Ficando ainda disponível uma parte do lote para cultivo e até criação de animais domésticos, ou futuramente, para o desenvolvimento de mais alguns compartimentos para habitação.

Os materiais escolhidos procuram levar a um baixo custo de construção, sem prejudicar as condições de habitabilidade, assim como ajudar no desenvolvimento económico da região, sendo todos de origem ou produção local. A estrutura é executada em betão armado e a alvenaria em blocos de cimento, sendo que o método usado exclui o uso de cofragem, pois são aproveitados os vazios dos blocos que se encontram nos vértices da construção, para depois de colocado o ferro, serem cheios consoante decorre a colocação dos blocos, não exigindo assim nenhum tipo de mão de obra especializada ou maquinaria. Como forma de compensar a fraca resistência térmica dos blocos, estes são preenchidos com terra do local, a já falada terra vermelha, que desde o inicio dos musseques foi utilizada na construção das palhotas. A utilização de um dos materiais mais baratos de produção local, e por isso utilizado nas construções precárias existentes, é complementada com a utilização de um material sem custos, pois existe no próprio lote e resolve o problema térmico dos blocos de cimento. A laje é aligeirada, constituída por abobadilhas e vigotas.

Na cobertura recorre-se ainda a um ripado de madeira, de forma a proporcionar sombreamento e criar uma zona ventilada, diminuindo assim a exposição solar da laje. A madeira seria de origem local, a Takula, mais uma vez levando a criação de emprego proporcionando desenvolvimento económico na região. Seria usado o mesmo material para a execução dos vãos, com dimensões reduzidas e vidros simples, compensados por portadas num ripado de madeira, criando uma zona intermédia, sombreada.

Em relação á sustentabilidade ambiental da habitação, o primeiro factor a ter em conta é o fraco abastecimento de água que ainda se sente em todo o pais, mesmo nas zonas mais desenvolvidas da capital, como tal, e tendo em conta que apenas chove durante um curto período de tempo, embora o clima não seja dos mais secos devido á proximidade do mar, são criadas duas zonas de armazenamento de água da chuva, o primeiro e junto á entrada, um tanque a céu aberto, e o segundo no lado oposto do lote, que consiste numa caixa de ripas de madeira, de forma a sombrear e proteger três depósitos estanques. A água é recolhida em todas as coberturas e encaminhada sem recurso a meios mecânicos, apenas pela gravidade, para estes depósitos e para o tanque, para ser depois usada em regas e lavagens.

A luz solar é usada para iluminar todos os espaços de forma controlada, através do recurso a portadas em ripas de madeira, independentes das janelas e portas criando uma caixa ventilada entre ambas. Desta forma as janelas e portas podem funcionar apenas com um vidro simples, reduzindo os custos, e podem ser abertas para ventilar os espaços, mantendo as portadas fechadas. Todos os compartimentos têm um mínimo de dois vãos, sendo que um deles é sempre uma janela e tem o seu ponto mais alto junto á laje de cobertura, de forma a facilitar a saída do ar quente, de forma a funcionar como exemplos da antiga Pérsia com as torres eólicas, o vão localiza-se no ponto mais alto do compartimento, o ar quente sobe, logo, sai. De referir ainda, as circulações pelo exterior, estreitos corredores que criam sombras entre as construções de forma a gerar correntes de ar entre eles, para uma refrigeração natural.

O isolamento das paredes exteriores é feito com recurso á terra removida do lote para implantar as construções, não tendo desta forma custos económicos, e mais importante, ambientais. É o material mais usado em países com temperaturas elevadas desde á centenas de anos e continua a ser usado, seja em forma de adobe ou simples construções em barro, tendo como única lacuna a resistência ao clima, problema esse resolvido ao ser usado como enchimento dos blocos de cimento.

MESS IS MORE

Projecto em parceria com o arquitecto HUGO LOUREIRO.

Data: 2010 Cliente: Trienal de Arquitectura de Lisboa Tipo: Arquitectura