• CASA SAÚDE E SORTE
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CASA SAÚDE E SORTE

O projecto apresentado pretende actualizar o edifício existente de modo a dotá-lo das condições de habitabilidade mais adequadas às actuais necessidades, a um modo de vida contemporâneo. O primeiro objectivo do projecto, será a referida actualização, que nos leva a repensar o programa habitar, existem agora novas necessidades funcionais a equilibrar com a adequação do objecto arquitectónico à morfologia urbana envolvente, com ênfase nas construções imediatamente confinantes. Salvaguardando e reforçando simultaneamente a sua identidade própria.

No local, com todo o contexto de construções desregradas, com diferentes tempos de construção, ausência de qualquer tipo de planeamento geral ou de cada uma das partes, pode-se assumir que não existe um fio condutor para uma imagem arquitectónica tipo. Existe apenas o resultado de materiais e técnicas de construção correntes no tempo das suas execuções. Desta construção de génese ilegal, nascem ideias ricas, pois surgem sem regras que venham organizar o pensamento de espaço, mas com a única premissa que é colmatar as necessidades momentâneas, de quem o vive. Desta riqueza orgânica do local e da construção existente, assim como das vontades dos proprietários, conjugadas com a legislação, renasce esta habitação.

No presente projecto optou-se por depurar a linguagem tradicional e enriquecer a construção através do destaque de elementos chave.

No muro exterior é removido todo o revestimento em pedra escacilhada e reorganizados os acessos e os gradeamentos, aproveitando todos os elementos trabalhados de ferro. É criado um novo acesso automóvel, um portão de chapa lisa, pintado em branco, como todo o muro e os elementos de ferro, de forma a destacar as formas dos antigos gradeamentos, com todo o seu esplendor de execução manual.

Propõe-se a remoção dos revestimentos em pedra na base de toda a habitação, assim como a pedra escacilhada nos cantos/vértices, os revestimentos cerâmicos e balaustres. Após esta depuração, surge o elemento dissonante, concentrado na nova entrada da habitação, que agora mais recuada na lateral Sul, pede o destaque que lhe permita visibilidade.

Este momento é conseguido recorrendo a um revestimento em pedra, contrastante com todas as fachadas limpas e pintadas num cinza neutro. O pequeno corpo saliente na habitação, a revestir, é desprovido da cobertura de telha lusa, que o tornava desproporcional na relação com o todo. É assim simplificado e equilibrado em relação ao conjunto, recebendo o revestimento em pedra mármore do sul/centro do país com uma estereotomia inspirada na construção tradicional em granito do norte do país, conciliando assim as duas origens da família que a irá habitar. Neste revestimento ainda, nascem três elementos salientes, o primeiro que faz a cobertura da entrada, um segundo mais ao centro que origina um pequeno banco de chegada e um terceiro, mais à esquerda, que é uma pequena prateleira para receber uma planta e equilibrar o conjunto.

Os vãos surgem da reorganização dos espaços interiores, de acordo com as necessidades funcionais da habitação, mas tendo sempre em conta as dimensões e linguagem dos vãos na envolvente, assim como do anexo existente que se manterá sem alterações. As cantarias são na mesma pedra mármore do revestimento.

No exterior da habitação, são reorganizados os pavimentos de acordo com a nova entrada da habitação assim como com os novos vãos com acesso ao exterior, sendo a área pavimentada resumida ao essencial, conseguindo assim um aumento da área permeável e um maior contacto com o terreno natural, com a vegetação, o que se entende a essência e vantagem de uma moradia isolada. A área permeável aumenta cerca de 15 metros quadrados, enquanto a área de logradouro foi reduzida em 10 metros quadrados. As zonas de pavimento são executadas com lagetas de betão na cor cinza. A entrada na habitação, que apenas era possível através de três ou quatro degraus, passa agora a ser feita em rampa, de acordo também com a legislação referente a acessibilidades.

Para pavimento dos dois novos lugares de estacionamento no interior do lote, são usados blocos de enrelvamento, permitindo a continuação do tapete verde nesta área. Estes dois lugares de estacionamento tiram dois automóveis da rua, que ficariam estacionados paralelos ao passeio, compensando desta forma a criação de um acesso automóvel que ocupa um lugar na rua com o acesso ao portão.

São criados novos espaços técnicos. Para separação de lixos, um pequeno compartimento encerrado, que suporta a cobertura do espaço de bancada e grelhador, substituindo o existente a necessitar de manutenção, num espaço exterior que se quer usar com regularidade, deixando de ser o actual espaço residual.

No novo espaço para estacionamento automóvel e no espaço para refeições no exterior, no lado poente da habitação, recorre-se a pérgulas em perfis tubulares de alumínio, de forma a conseguir alguma sombra e privacidade, que é neste momento invadida pelos terraços transitáveis das construções anexas vizinhas, que envolvem todo o lote e que se localizam nos seus limites.

Muros não confinantes com a rua, são todos regularizados pela maior altura permitida, para esconder o que for possível de paredes e muros vizinhos.

Desenvolveu-se para o projecto um programa, como já foi referido, adaptado ao tempo a que se propõe, de habitação unifamiliar com três quartos, mantendo-se inalterado o anexo.

A habitação é totalmente reorganizada, mantendo a localização de algumas das funções e a tipologia. São reunidas divisões complementares num mesmo espaço. A ligação entre as diferentes divisões, que era sempre feita através de um hall e corredor interior, propõe-se reduzir e converter o máximo desse espaço de circulações em área útil.

A entrada passa a fazer-se pelo alçado sul, mais resguardada da Rua Vasco da Gama, junto à área de cozinha, que se mantém onde existia, assim como a lavandaria e arrumos, apenas com a ligação entre os espaços alterada. Esta ligação tem agora maior dimensão e portas de correr que permitem a quase inexistência de uma transição. A lavandaria tem acesso directo ao exterior.

A redução de circulações aplica-se desde a entrada, que é feita directamente para a cozinha, sala de jantar e sala de estar, reunidas num espaço único, sendo que a condicionante, foi a de resguardar a cozinha, através de mobiliário fixo, como um biombo, que nos direcciona a visão, quando entramos, para o espaço mais distante de jantar e de estar. Mantendo a premissa de bom funcionamento, com a cozinha próxima da entrada. Existem dois vãos, um sobre a bancada de cozinha e o outro de dimensões mais generosas, virado a poente, onde existirá maior relação interior/exterior. No ponto mais distante da entrada, espaço de estar, existe oculto, um arquivo e bancada de escritório, embutido na parede da zona de estar.

Com uma linguagem espacial simples, é destacado um elemento a meio da sala, pela sua forma de ângulos irregulares e pela sua textura, que nos mostra o acesso a um hall onde se encontram e simultaneamente se escondem todas as portas.

Aqui existe uma instalação sanitária simples sem banhos, também para visitas, seguida de uma outra apenas para banhos, de uso privado.

Existem depois mais três portas, as duas primeiras são dois quartos quase simétricos, virados para nascente e a terceira, o quarto principal. A este acede-se por uma zona transitória de vestir, de onde se chega livremente ao quarto de dormir, virado a nascente mas também a sul, através de um vão de canto. Do espaço de vestir temos acesso a uma instalação sanitária completa, de uso exclusivo deste quarto, que se mantém no mesmo local das instalações sanitárias que existiam.

Data: 2014 Cliente: Particular Tipo: Arquitectura