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PÁTIO CHIADO

O espaço a propor, é reconhecido por dois nomes, Galerias Garrett e Pátio Álvaro Siza. O segundo seria a ‘marca a comercializar’, reforçar, valorizando assim o pátio e os imóveis que o delimitam. Conforme um esquiço do pátio ainda em projecto, o espaço delimitado pela construção tradicional, tem dois elementos que o caracterizam, que o distinguem. A fonte e a árvore.

Limpar e recuperar o que se encontra em mau estado, sejam elementos pintados, partidos ou elementos adicionados como redes agarradas a guardas e corrimões. Repor o funcionamento da fonte, dar-lhe espaço para respirar e poder ser admirada como merece. Limpar a zona envolvente da árvore e conferir-lhe novamente o papel de elemento central do pátio. No fundo recuperar a história que o projecto inicial contava, o que aqui se podia encontrar quando as primeiras obras foram concluídas, partindo depois para a remoção de tudo o que são estruturas dos estabelecimentos que usam este espaço, como canteiros, vasos, divisórias de esplanadas e elementos de sombreamento, neste momento desordenados e sem um fio condutor, que os ligue a este pátio ou a este ponto específico da cidade de Lisboa.

Será feito um reforço na iluminação, com novos elementos que se confundam o mais possível com os existentes, a manter. Serão unicamente candeeiros de parede.

Organizar e regrar a utilização de vasos, um elemento tradicional nos pátios, em barro. Trabalhando a riqueza inerente à variedade de dimensões, estabelecer três dimensões tipo para os vasos, assim como os locais onde poderão ser colocados ou em alguns casos, obrigatoriamente colocados de forma a organizar alguns espaços ou circulações. Conseguindo assim alguma naturalidade, como se fossem fruto do passar do tempo, sem cair num caos de linguagens.

Daqui, percebendo as necessidades decorrentes das utilizações actuais e possíveis, de forma a dinamizar este espaço em função de todos os utilizadores (habitantes, comercio e turistas), responder aos problemas e limites encontrados.

Propomos elementos que representem o inverso do existente, que sejam um negativo do projecto e do ambiente da zona onde se insere o pátio. Destacar, de forma inequívoca, o que não pertence ao sítio, o que é novo, o que contrasta com o projecto original. Com este contraste, chamar a atenção, pedir protagonismo para este pátio no chiado, um lugar homogéneo.

Partindo do elemento tradicional reforçado, o vaso de barro, e do elemento tradicional comum, as guardas trabalhadas das varandas, desenvolver os novos elementos, em chapa recortada de acordo com os elementos das guardas e pintada numa cor laranja próxima da cor do barro. Nesta interpretação ‘gráfica’ das guardas, o que era matéria passa a ser vazio.

Esta homogeneidade nos novos elementos, fará com que se destaquem, dando uma nova vida ao pátio, sem ferir a sua personalidade, limpando-o e enaltecendo a importância do mesmo.

Os novos elementos começam por estruturas de sombreamento e placas de delimitação dos espaços de esplanada, de forma a organizar o caos que se instalou. As estruturas de sombreamento são propostas de forma a serem revestidas com telas possíveis de ser substituídas facilmente, assim como personalizáveis, para atribuir diferentes identidades consoante o ano, a época ou o estabelecimento que o ocupa, de forma a definir.

Com estes elementos ganhar espaço livres para atribuir aos moradores e publico não cliente do comércio/restauração. São eles bancos, mesas e estruturas para parquear bicicletas. Os últimos são já uma lacuna na cidade de Lisboa, estão presentes em todas as cidades europeias, com tendência a crescer em número a quantidade de bicicletas, será importante criar elementos onde as poder deixar. Servirão para moradores das habitações envolventes, assim como para quem apenas se desloca a este pátio ou ao Chiado em geral.

Nas entradas, conseguir destaque em relação à envolvente, através de elementos desta intervenção introduzidos nos portões existentes. E mais importante, em falta neste momento, o nome do pátio, colocado sobre as duas entradas. Os nomes dos pátios Lisboetas criados durante a revolução industrial para colmatar a falta de habitações para as classes operárias, foram em muitos casos removidos, numa época em que as fracas condições de habitabilidade dos mesmos, os propósitos a que se propunham e a classe a que se destinavam, conotava de forma negativa os seus habitantes. O cariz que estes pátios tinham foi-se perdendo e com ele a ideia criada em volta dos pátios.

É este pátio exemplo de qualidade, assim como outros em Lisboa bem conhecidos, faltando-lhe um nome bem definido que o identifique, como uma ‘marca’ que atribui e garante qualidade ao que a ele se liga. O nome proposto de Pátio Álvaro Siza.

Propõe-se também a introdução de pequenos elementos correctivos nos acessos. Na entrada pela Rua Garrett, a substituição da placa que identifica as empresas que ali existem, de forma a enquadra-la na nova linguagem assim como a estabelecer de forma inequívoca o espaço de cada empresa, sem que haja margem para diferentes destaques entre elas. E na entrada da Rua Ivens, um pequeno portão que limite o acesso às lojas e à ponte, de forma a direccionar os utilizadores directamente para as escadas.

Abrindo espaço à criação artística e da mesma forma promover a visita de mais utilizadores a este espaço, no pátio e no saguão da entrada da Rua Garrett, delimitar quatro zonas, para intervenções ou exposições artísticas. Sugere-se uma possível parceria com a Faculdade de Belas Artes, os alunos ou finalistas têm a oportunidade de expor, o pátio ganha notoriedade com a exposição gerada pela constante permuta de elementos expostos.

Projecto em parceria com o arquitecto MIGUEL MARIANO – DURBAN.

Data: 2013 Cliente: Pátio Chiado Tipo: Arquitectura