• TOFTEGARDS PLADS SYD
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TOFTEGARDS PLADS SYD

Num contexto urbano ordenado, de edificações de média escala interessa corresponder á situação em que se encontra, com um objectivo de inserir esta zona no panorama global da cidade. Propõe-se uma identidade, uma localização e visibilidade. A proposta tem como principal objectivo, a revitalização da zona a sul da Toftegards Plads, promovendo a união entre ambos os pontos, Toftegards Plads e Toftegards Plads Syd. Pretende-se que as duas praças definam um centro “encubador” de cultura e de dinamismo social no contexto da cidade de Copenhaga, mantendo as suas vivências e actividades tradicionais mas desta forma relacionadas com práticas alternativas, citadinas e contemporâneas. O objectivo de estabelecer uma ligação cultural entre ambas as praças estende-se a uma relação física que permite uma fluidez de circulação tanto para peões como para utilizadores de bicicleta, propondo um acesso inferior, sem obstáculos.

A cidade no seu perfil, caracteriza-se pela regularidade das volumetrias, momentaneamente pontuadas por elementos verticais, torres de igreja normalmente esbeltas. Pretende-se com esta proposta que a afirmação da Toftegards Plads Syd seja visível e faça parte dessa composição reflectindo para a cidade envolvente a actividade que se desenvolve ao nível do solo. Um elemento vertical proposto como uma torre á escala da cidade desempenha essa função sendo ela própria superfície e suporte de intervenção, recorrendo a tecnologia digital e á produção de imagem. Este será o elemento de maior dimensão num conjunto de outros equipamentos que definem uma frente urbana sólida, mas permeável, com uma escala reduzida que os tornam anónimos privilegiando um espaço livre, com a menor quantidade possível de sombras, e interrompida pelo próprio espaço público dominante.

O espaço principal, aquele que se encontra livre (‘a praça’), aproveita a pequena diferença de cotas que existe entre a antiga praça a norte, e esta, para com uma regularização de cotas na praça conseguir a ligação inferior entre praças, e o mais importante, um isolamento acústico e também visual, em relação às vias automóveis envolventes sem o recurso a uma ‘muralha’ edificada circundante de grande altitude. A organização dos equipamentos propostos, destinados a potencializar e promover a prática de actividades sociais, desenvolvimento cultural e individual, tem a sua origem na fragmentação de matéria. Subtracção e adição de massa sólida, que se apresenta na rudeza da pedra e obtém a regularidade e a pureza das formas que caracteriza a malha urbana da cidade de Copenhaga. A pedra surge no contexto de memórias universais associadas a praças e edificações de grande importância assim como á sua durabilidade e textura, que associada a estereotomias permite a marcação de espaços destinados a diferentes vivências.

Deste acto resultam espaços públicos e volumes que se apresentam como contentores de actividades culturais e como suportes para intervenções relacionadas com a música, artes plásticas, produção multimédia e cinema. Será neste espaço público que ao ar livre e na amplitude da praça se desenvolvem as actividades de lazer, desporto e a feira, que contam com equipamento desenhado com o propósito de oferecer uniformidade e identidade ao conjunto, e no caso do equipamento para a feira, ser de fácil transporte e armazenamento em local próprio, tornando a praça livre.

Sendo um espaço público situado numa zona da cidade destinada principalmente á habitação encontra-se ainda assim povoada por algum movimento onde se cruzam vias e meios de transporte. É também uma zona de passagem, resultado da localização de alguns pontos de interesse, interessando promover o fácil percurso através da praça, permitindo o seu atravessamento de forma fluida e sem obstáculos físicos para quem caminha ou se desloca de bicicleta, criando assim um ponto de encontro onde se tenta relacionar quem por aqui passa com as actividades culturais que aqui se desenvolvem sem o constrangimento de um convencional museu.

O espaço construído consiste num espaço de entrada, uma livraria, várias salas de exposição temporária, um auditório e uma zona administrativa na zona que cinta a praça, e uma cafetaria, arrumos e espaços comerciais diversos numa elevação a sudeste da praça.

O espaço de entrada e distribuição é marcado no exterior pela presença de um marco vertical nesta zona e no horizonte da cidade, com um revestimento digital que lhe permite uma constante mutação e reinvenção num curto período de tempo e uma projecção de grande amplitude em períodos de menor intensidade solar, tornando-se um enorme ponto de iluminação para a praça, e de exposição para quem por aqui passa, como um farol que nos guia até ela.

Daqui é feita a distribuição para todos os espaços museológicos adoçados ao limite entre a praça e as vias de circulação existentes, estes elementos de baixo-relevo, são acessíveis por um percurso ’escavado’ sob o passeio anexo á estrada (circulação exterior-passeio, circulação interior-túnel…). Também anexo a este acesso encontra-se o auditório que se expõe exteriormente com sua forma que exibe a função, sendo esta exposição da função também patente na praça através de um grande vão nas traseiras do palco. Ainda este acesso, termina num pátio onde se encontram duas salas de exposição. A Este da torre e da ligação inferior á antiga praça encontra-se ainda a zona administrativa.

Na zona Sudeste encontra-se esta elevação com a cafetaria que tem acesso pela praça e por uma subdivisão da praça que faz ligação a um outro espaço comunitário já existente, que vê assim mantida a tranquilidade pré-existente na sua zona de acesso.

Aqui encontram-se também, uma tabacaria e outros espaços comerciais, assim como zonas de arrumos. Na zona superior deste elemento encontra-se uma subdivisão de pequenos espaços verdes transitáveis que fazem a mediação altimétrica com a praça, espaços estes, que são de estadia, assim como a sua zona mais elevada onde reaparece o material predominante da praça, a pedra.

A antiga praça, agora acessível por um novo acesso inferior directo entre as duas, mantém a sua forma anterior quase imutável, assim como a sua função em dias de feira, associada à história e nome da cidade, ganha no limite com a estrada, um quiosque que a pretende servir o essencial, ladeado por duas caixas translúcidas que levam luz á ligação criada, e que funcionam como lanternas, trazendo a luz artificial á superfície durante a noite.

Os equipamentos e a praça que as pessoas vivem esconde-se para dar o lugar de destaque a um grande farol na cidade.

Projecto em parceria com o arquitecto HUGO LOUREIRO, designer GONÇALO SEVERINO e designer NUNO MIGUEL NEVES.

Data: 2008 Cliente: Copenhaga Tipo: Arquitectura